terça-feira, 31 de janeiro de 2012
a pedra
avante! avante! rumo ao depois, pra lá do ante. avante! o mundo não espera, o mundo não erra. nem serei eu mais um dos tolos a fincar o pé onde a lama suja me drena a fé! mô, faz um favor pra mim? joga aquele balde com duas calcinhas, água e sabão, dentro da máquina? eu jogo e volto, mas já não sou mais o mesmo. perco o prumo, fico à esmo.
domingo, 8 de janeiro de 2012
depois de lá
um dia tão belo seguido de outro nem tanto. sem surpresa nenhuma, entretanto. numa dessas subidas eu sei que ninguém para. nem embaixo, espero. mesmo que não pareça assim quando estou lá. a idade me deu memória, de saber que quase nada fica do jeito que está. o que fica, não se vê nem mede. é pra além do acolá.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
faca d'água
infladas as velas sabe-se lá por quais ventos, que vem de ninguém sabe onde, mas isso não importa. agora o rumo não é porto qualquer, tampouco novos mares ou terras. agora o rumo é o casco cortando a água, o sobedesce da proa contra as ondas ou marolas, as gaivotas ao redor. o rumo agora é o barco fazer o que um barco faz.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
1093
ainda ontem era aí. eu sentia falta do que na época era lá. hoje é aí, o lá. eu, ainda muito bobo pra entender, devo morrer assim, de saudades. de você eu sinto saudades quase todo dia. não sei bem o que é você, mas lhe sinto saudades. quem será você amanhã? se ao menos eu pudesse sentir saudades do que ainda não passou. se tudo que passa tivesse sido tão bom quanto a saudade diz... talvez ninguém fosse andar pra frente, tampouco fosse o coração viver olhando pra trás.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
desterro
depois da tempestade, ainda outra. vista de fora, como se nada fosse. uma tempestade de silêncio e vazio, vez após vez. já mal se escutam promessas de dias melhores. eu, que habito em mim, não tenho vizinhos e estou prestes a ser despejado. vou ter que me haver com ela antes que ela me leve, a tempestade de silêncio e vazio.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
incontável
domingo, 12 de junho de 2011
desadivinho
minha envergadura encolhe, minha fé seca e se recusa a se deitar com meu futuro, diz estar cansada de esperar. ele continnua sem dar notícias. eu temo por eles, não por mim. eu... eu procuro um lugar a salvo, onde dessa briga não sobre nada para mim. enquanto isso, minha envergadura encolhe. até quando eu não sei, talvez até minhas mãos saírem do tronco. talvez até que não existam mais mãos.
terça-feira, 7 de junho de 2011
um barco
modificação do original "Slave Ship (Slavers Throwing Overboard the Dead and Dying, Typhoon Coming On)1840 - William Turner
segunda-feira, 9 de maio de 2011
quadrúpedes desvairados
quadrúpedes desvairados, cuidado! são os quadrúpedes desvairados! colocando-os de lado, os quadrúpedes desvairados, um sossego acalorado, fica tudo apaziguado. quando passam eles, é um tanto de poeira que mesmo que não se queira... ficam na memória esses bichos aloprados, os quadrúpedes desvairados.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
afectos infectos
foto por AnaCris Loureiro
odor que insiste em ficar,
em tudo,
afectos infectos.
caminhos iguais levam sempre,
ao mesmo lugar.
que outros haverá?
quarta-feira, 2 de março de 2011
ormor-cego
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
dos panos e ratos
as horas, são poucas agora, logo serão muitas e depois deixarão de ser, simplesmente. porque as horas são frias, duras. as horas são os dias recortados, que são as semanas, que são os meses, os anos, todos recortados. enquanto passam, todos estes, tentamos nos costurar, tecer. recortados somos nós, retalhos. a colcha é uma memória de mentira. às vezes, ao ficarmos velhos e juntos, nascem os ratos. geração espontântena do pior destino que um emaranhado de linhas pode ter. linha e agulha, cadê?
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
cama velha
a cama é coisa velha, se desfez no caminho, mas sua memória insiste e às vezes prevalece, mas a cama é coisa velha, se desfez no caminho. ainda assim, aparece de repente, como se ainda houvesse. filho único dorme só, sonha só, mas cresce. e quando cresce precisa de companhia, porque já não basta mais só dormir, ou só sonhar.
à minha causa não cabe mais esperar. nem a cama. nem sonhar.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
pança, eu espero
vinteoito dias depois, ou um pouco mais, ou um pouco menos, não importa, alguma coisa do que era pra ser e não foi ainda insiste, a cada expiração. ergue-se no sonho, cai no dia, na solidão sem igual, tão bem acompanhada. crescem meu esperar e minha pança. aguardo seu filho, esperança. não que seja tanto esse o caso. preciso de você, seja quem for, contanto que seja outro de mim, em mim. meu espírito exige um santo de barro, pra que os outros possam ver a minha fé.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
assovio e janela
na janela, eu assovio na janela. pra não enloucar, eu assovio na janela. eu assovio pra ninguém, eu assovio pra ela. pra implicar, eu assovio na janela. não é brincadeira, já vi muita gente torta por não ter assovio, ou não ter janela. às vezes também eu enlouco, mas quando aperta, é janela. é assovio e é janela, vou correndo pra ela.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
até
eu cantei um morro inteiro, que eu subi só de imaginar
eu caí do céu e não morri, inventei asas pra me salvar
eu fiz foi tanta coisa, mas tanta coisa, que você nunca iria acreditar
minha vocação é o sonho
eu sonho, sonho, sonho...
sonho até você acordar
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
ao longe
o tempo jaz insosso, turvo e retorcido sobre um espaço incerto. ontem, nos encontramos e nos amamos enquanto ao fundo ressoavam trompas de guerra, apontando o caminho a seguir. nossos espíritos jovens fizeram o que lhes cabia, mas diferente do que se esperava, foram parar em lugar desconhecido. o silêncio ao redor confunde mais do que acalma. hoje, não estamos de modo algum sós, só não sabemos bem onde viemos parar. continuamos nos amando, precisamos nos encontrar.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
piquesconde
artimanhas de sobrevivência protoestética pseudoautônoma. para tudo que tá tudo errado! tá não! segue! para tudo, é pelo outro lado. né não! diacho de coisa doida! cadê você? cadê? cadê eu?! achei! AHuaUHAUHAUH! achei outra coisa! pra que serve? serve pra nada! serve pra ser outra coisa! ah! então já tá bão!
domingo, 14 de novembro de 2010
fricção
chegada a hora da verdade, doce ilusão. a merda da verdade, deserto da razão, sem sorrisos nem refrão. aprumados rituais entre sérios em série enchem o saco dos outros. enquanto isso, alguns comem salgadinhos e tomam refrigerante. os retos tentam durar mais, cada vez mais, para, chegada a hora da verdade, morrer de completo tédio. simula-se a vida, a morte, não. ficção. quem sabe como é, sabe como é. tudo fricção.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
nada a acrescentar
nada a acrescentar, disse o professor com a prova corrigida em mãos. então, eu estou liberado? perguntou o aluno, mais aliviado do que orgulhoso. pelo contrário, meu caro. retrucou o mestre com ar solene. como assim? eu não posso ir embora? ninguém disse que você não pode ir embora.
Assinar:
Postagens (Atom)



















